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sábado, 28 de novembro de 2009

ENTREVISTA DO PETIT AO JORNAL I

Petit chegou à Selecção Nacional A sem nunca ter passado pelas de formação. Sentiu-se olhado de lado, por vir do Boavista, e sentiu-se atrapalhado por não saber como tratar Figo ou Rui Costa. Foi Sérgio Conceição quem o ajudo a entrosar-se.

"Antes só via aquela gente pela televisão! Quando lá cheguei alguns tinham sido eleitos os melhores centrais da Europa (Fernando Couto e Jorge Costa), o Figo lutava para ser o melhor do mundo. Nunca tinha imaginado estar perto, quanto mais jogar ao lado deles! Às vezes dizia alguma coisa e ficava à espera a ver o que respondiam, para ver se continuava a falar.

Até dá vergonha. Não sabia se devia dizer “Figo”, ou “Luís”. Não me conheciam de lado nenhum, nunca tive percurso de selecções, só tinha ido à selecção B fazer dois jogos. Depois saltei logo para a selecção A e era olhado de lado porque era jogador do Boavista.

O Sérgio Conceição ajudou muito, porque ele também é do Norte, também é um brincalhão e um palhaço. E o Capucho… eu às vezes até tinha medo de entrar na sala dos jogadores, ficava no meu quarto, mas depois aparecia o Sérgio Conceição e convidava-me para ir tomar café com eles. Havia muito respeito e às vezes os mais novos tinham de ouvir uma palavra e fechavam a matraca. Se calhar tratei alguém por senhor algumas vezes. Ia dizer “Luís”? Ou “Figo”? Nos treinos eu nem pedia a bola e quando a roubava entregava-a logo a eles, porque tinha vergonha de dizer “ó Figo”, “ó Rui”, “ó Pauleta!”. Ficava no meu cantinho", disse.

Dos tempos do Boavista, onde se formou, Petit recorda o treinador que mais o marcou, a par de Álvaro Magalhães, pela dureza e a forma como encarava cada treino.

“O Álvaro acreditou em mim e estreou-me na 1.a Divisão, no Gil Vicente. O Pacheco lançou-me num clube que um ano antes tinha estado na Liga dos Campeões e ficado em segundo no campeonato. O Boavista era o quarto grande, tinha jogadores de qualidade. Ajudou-me, puxou-me as orelhas, eu revia-me nele e ele em mim. O treino, para o Pacheco, era como o jogo. Tínhamos de treinar de pitons de alumínio e de caneleiras de carbono. Sempre. Alguns metiam umas caneleiras de pano…o Vítor Nóvoa [adjunto de Pacheco] ia lá apalpar e éramos obrigados a meter outras. Foi essa disciplina que que levou aquele grupo de Pacheco a ter sucesso ano após ano", relembra.

Depois de nascer para o futebol na cidade invicta, Petit ganhou estatuto quando se mudou para a Luz. O seu destino estava “traçado” para vestir de vermelho.

"Um dia chamaram-me ao gabinete do João Loureiro. Luís Filipe Vieira tinha lá estado nessa noite, tinham chegado a acordo, só faltava falar comigo porque eu ainda não sabia de nada. “Vais para o Benfica”, disse-me. “Está tudo acertado.” Fiquei lá umas horas, faltavam uns papéis, depois segui para Lisboa. o meu empresário na altura era o José Veiga, que tinha boas relações com os presidentes do Benfica e do Boavista… Tive contactos com outras equipas – era um jogador apetecível porque tinha ido ao Mundial-2002, tinha 24 anos e era baratinho –, mas o que surgiu foi sempre por outros empresários e as coisas não se concretizaram. Só passado um ano alguns directores me disseram que o João Loureiro recusava as propostas que iam chegando. Tinha de ser o Benfica”, recorda.

O dinheiro não foi o motivo até porque, explica, veio “ganhar quase o mesmo” e só aos 30 anos conseguiu renovar. Não saiu magoado da Luz, mas sente que, de alguma forma, não lhe deram o devido valor.

“Apareciam jogadores que ganhavam muito mais do que eu e nunca tinham jogado em lado nenhum. Eu, que era internacional pelo meu país, titular e sub-capitão do Benfica, jogava sempre e não via o meu salário ser aumentado. Fiquei triste, até porque também tinha tido a oportunidade de sair para outros clubes. Surgiu o Colónia e fiz pressing para sair, para salvaguardar a minha vida”, contou.

Com o Benfica, viu ser gerada polémica quando aceitou ser mandatário de Bruno Carvalho, adversário de Vieira nas eleições à presidência.

Estava num restaurante e ligou-me um primo que trabalha no Porto Canal. “Olha, o Bruno, o meu patrão, pergunta se queres ser mandatário da campanha dele.” Eu só tenho o primeiro ano, não sabia o que queria dizer ser mandatário e disse-lhe: “Mete lá aí o meu nome. Fiquei mal, porque me dou bem com o presidente [Luís Filipe Vieira]. Mandatário! Depois percebi que fiz asneira. Nunca mais falei com Luís Filipe Vieira e ele deve ter ficado zangado. Pensava que era uma coisa qualquer de marketing. Que asneira, as pessoas a ligarem, o meu empresário a perguntar porque me meti naquilo… mas é com estes erros que vamos aprendendo. Vou morrer e ainda vou estar a errar. E a aprender”, sublinhou.

Luis Filipe Vieira queria que terminasse a carreira no Benfica, Petit também, mas uma estabilidade financeira falou mais alto. Em Portugal, será, provavelmente, o seu clube de formação a vê-lo pendurar as chuteiras.

“Por enquanto fico por aqui, mas quando voltar vou para o Boavista ajudar a fazer o que for preciso. Sou capaz [de jogar sem receber], jogarei por gosto e para ajudar, para acabar onde me formei”, frisou.

FONTE: http://desporto.sapo.pt/futebol/internacional/artigo/2009/11/28/petit_tinha_vergonha_de_dizer_.html

3 comentários:

Adepto disse...

Além de um grande jogador um grande homem. Obrigado Petit !

saul disse...

Só ao ler esta entrevista se vê a humildade e o caracter deste Homem.
Vir para o Boavista será antes do mais o regresso ás origens,mas uma Bofetada de luva branca aos que nos Roubaram,mas tambem a todos aqueles a quem o Boavista fez homens(pelos Vistos pouco),
jogadores mas acima de tudo ajudou
a eles term agora boas contas Bancárias.Obrigado Petit

Boavista + / Boavista Positivo disse...

Pelo que se diz o Boavista tinha ainda 50% do passe do Petit em caso de transferência. Muito convenientemente o Petit saiu a custo zero e recebemos 50% de nada. ALGUÉM meteu o dinheiro deste negócio ao bolso, porque este discurso não joga com o que se diz. O Petit diz que ganhava POUCO e o Benfica diz que o deixou a custo zero porque era um dos MAIS CAROS. Quem fala VERDADE? A Fazenda deve investigar estes negócios da china, UMA AUDITORIA deve ser feita ao clube. Há muitos XICO-ESPERTOS e SUCATEIROS no futebol...